Luiz Carlos Mendonça de Barros*

As três maiores economias entrarão em ciclo de crescimento, e garantindo a emergentes a saída da recessão.

Estamos entrando em uma segunda fase da crise mundial provocada pela covid-19, com os efeitos da  quarentena  social  chegando  de  forma  agressiva  às  economias  nacionais.  O  primeiro  impacto, provocado  pelo  pânico  que  atingiu  investidores  e  instituições  financeiras  no  mundo  todo,  está controlado pela ação conjunta dos bancos centrais.

A lição de 2008 foi aprendida e desta vez o protocolo definido após 2008 não foi só rapidamente aplicado, como expandido por outras medidas ainda mais heterodoxas.

Para o enfrentamento desta segunda fase as lições do passado não foram suficientes pela natureza diferente do choque negativo que atingiu simultaneamente a operação de empresas e a renda dos salários de trabalhadores e arrecadação de impostos dos governos.

Felizmente a leitura deste choque feito por economistas e governos nacionais foi rápida e correta ao identificar o verdadeiro apagão de renda que iria ocorrer nas economias de mercado pelo tempo em que o afastamento social durasse. Em pouco tempo construía-se um protocolo de natureza keynesiana para enfrentar a recessão que se seguiria.

As aprovações das medidas deste protocolo estão ainda em andamento na maioria das democracias, mas será uma questão de tempo para que seja mitigado o impacto deflacionário que vamos sofrer nos próximos meses evitando uma verdadeira depressão econômica. Os primeiros dados já conhecidos na Europa e Estados Unidos não deixam dúvidas sobre a intensidade da queda da atividade que vamos viver pelo menos até o terceiro trimestre deste ano. Queda de mais de 6% do

PIB, em muitas das maiores democracias, não parece ser previsão muito pessimista.

Mesmo com uma visão otimista quanto ao controle da covid-19, o que ocorreu na China e já está sendo  visto  nas  maiores  economias  nos  permite  assim  proceder,  apenas  na  virada  do  ano  é  que teremos sinais mais claros de uma retomada da atividade econômica de caráter mundial. Mas ela vai   ocorrer   em   cenário   com   um   grande   hiato   do   produto   e   com   um   quadro   deflacionário preocupante. A China será uma exceção pelo sucesso obtido no controle da doença, e pela rapidez com  que  a  atividade  econômica  está  se  normalizando.  O  FMI  prevê  um  crescimento  de  1,5%  em 2020 seguido de uma expansão de 9% em 2021 em função de um programa de estímulos fiscais e monetários, que certamente virá, como ocorreu em 2010.

Nos  Estados  Unidos,  outro  pilar  da  economia  mundial, também  chegaremos  ao  quarto  trimestre deste ano com uma economia em recessão, mas com um hiato elevado do produto e um mercado de trabalho com bastante folga também. Mesmo com as incertezas de um novo presidente, podemos afirmar  que  haverá  no  Congresso  um  segundo  grande  esforço  de  estímulos  fiscais  para  colocar  a economia em uma rota mais clara de recuperação e uma redução do desemprego. Se estiver certo, teremos na virada do ano e durante 2021 as duas maiores economias do mundo lado a lado com uma volta do crescimento econômico.

Mesmo  a  Europa,  sempre  atrasada  pela  heterogeneidade  política  de  seus  membros,  está  para finalizar  a  implantação  de  uma  ajuda  fiscal  via  o  chamado  ―multiannual  financial  framework (MFF)‖ com mais de US$ 1 trilhão de recursos como afirmou recentemente Úrsula von der Leyen, presidente  atual  da  Comissão  Europeia.  Estes  recursos  vão  certamente  acelerar  a  recuperação econômica dos países em maior dificuldade como Espanha, Itália, Grécia e do Leste europeu. Desta forma as três maiores economias do mundo devem  – ao longo do quarto trimestre – entrar em um ciclo de crescimento positivo garantindo para o mundo emergente uma condição de – embora mais lentamente – sair da armadilha da recessão ao qual estão hoje destinados.

Neste cenário de crescimento com políticas monetárias extremamente expansionistas e, portanto, com juros reais muito baixos – lentamente parte dos capitais internacionais que fugiram para os EUA ao longo dos últimos meses voltarão a se posicionar, como sempre aconteceu no passado, no mundo emergente. Neste cenário o Brasil deve receber um empuxo externo via as exportações de commodities e a volta do investimento estrangeiro principalmente no setor de infraestrutura, viabilizando novamente o ambicioso processo de privatizações atualmente em stand by no governo Bolsonaro. Os dados da conta corrente e da entrada de investimento estrangeiro de março último já mostram o início deste processo.

Sei que serei chamado de otimista com este meu modelo para a evolução da economia mundial e brasileira  em  2021,  mas  apenas  repliquei  nesta  coluna  o  que  acompanhei  no  passado  quando acontece um alinhamento de dimensão mundial do início de um ciclo econômico de crescimento. Mercado de trabalho sem tensões, preços das principais commodities também em seu ciclo de baixa

  • o que garante um mundo sem inflação – combinados com uma imensa liquidez ao nível mundial serão incentivos suficientes para que os traumas e efeitos colaterais sofridos por empresas e consumidores sejam substituídos por expectativas mais favoráveis.

Ficará apenas, para ser tratado mais a frente com a volta do crescimento econômico, um aumento generalizado  do  endividamento  dos  governos  centrais,  a  começar  pelos  Estados  Unidos.  Neste sentido  serão  os  países  emergentes  como  o  Brasil  que  vão  precisar  de  um  programa  do  estilo defendido por Keynes em 1940 em seu extraordinário texto chamado ― How to pay for the War‖.

A  Foton  Caminhões,  presente  no  Brasil  desde  2010,  é  responsável  pela  produção,  importação  e distribuição dos caminhões da marca Foton no País. Além disso, responde pelo fornecimento das autopeças e por todos os serviços de pós-venda, incluindo as revisões e manutenções.

Na China, a Foton Motor Group, fundada em 1996, no distrito de Changping, Pequim, possui joint- ventures  firmadas  com  companhias  importantes,  como  a  Cummins,  ZF  e  a  Daimler,  sendo

apontada como uma das maiores e mais valiosas companhias chinesas.

Atualmente  a Foton vende  cerca  de  600 mil  veículos  por  ano globalmente, 90%  deste  volume  de veículos comerciais, com exportações para mais de 100 países e um volume que passa das 60 mil unidades.  No  mundo  a  empresa  conta  com  40 mil  colaboradores,  duas  mil  concessionárias  e, no ano passado, o faturamento foi de US$ 7,5 bilhões. A filial brasileira é a quinta unidade industrial da Foton fora da China. A marca já conta com fábricas na Tailândia, Vietnã, Quênia e Argélia em construção.

*Presidente do Conselho de Administração da Foton. Já exerceu os cargos de presidente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, foi Diretor do Banco Central do Brasil e Ministro das Comunicações

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