Dados do FMI apontam para pior recessão no Brasil desde 1901

O FMI divulgou no dia 14 de abril a maior projeção de queda de atividade econômica global da história do fundo: retração de 3% para o mundo e recessão de 5,3% no Brasil. Nos países desenvolvidos a retração será ainda mais acentuada, com -7,5% para a Zona do Euro e -5,9% nos Estados Unidos. Em 2021, o FMI estima que a economia mundial deverá crescer 5,8%, enquanto 2,9% são projetados para o Brasil. Se confirmados, os números de 2020 serão os piores desde 1929, ano do crash das bolsas, no mundo e desde 1901 no Brasil. De acordo com Gita Gopinath – Conselheira Econômica e Diretora do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), ―o mundo mudou radicalmente nos três meses desde nossa última atualização do relatório World Economic Outlook, em janeiro. Um desastre raro – uma pandemia de coronavírus – está provocando a perda trágica de um número cada vez maior de vidas. À medida que os países impõem as quarentenas e práticas de distanciamento social necessárias para conter a pandemia, o mundo entrou em um Grande Lockdown.

A magnitude e a velocidade do colapso da atividade econômica que se seguiu são diferentes de tudo o que já vimos. Para Gopinath, ―trata-se de uma crise como nenhuma outra, e é enorme a incerteza sobre seu impacto na vida e na subsistência das pessoas. Muito depende da epidemiologia do vírus, da eficácia das medidas de contenção e do desenvolvimento de terapêuticas e vacinas, e tudo isso é difícil de prever. Muitos países enfrentam agora múltiplas crises – uma crise sanitária, uma crise financeira e um colapso nos preços das commodities – que interagem de forma complexa. As autoridades estão prestando apoio sem precedentes às famílias, empresas e mercados financeiros e, embora isso seja crucial para uma recuperação robusta, é grande a incerteza sobre como será o cenário econômico quando sairmos deste lockdown‖.

Segundo a Diretora do FMI, ―partindo do pressuposto de que a pandemia e as medidas de contenção necessárias cheguem ao pico no segundo trimestre na maioria dos países do mundo, e que arrefeçam no segundo semestre deste ano, na edição de abril do World Economic Outlook projetamos que o crescimento mundial em 2020 caia para -3%. É uma redução de 6,3 pontos percentuais do nosso prognóstico de janeiro de 2020, uma correção bastante significativa em um período muito curto. Com isso, o Grande Lockdown caracteriza a mais grave recessão desde a Grande Depressão, muito pior do que a crise financeira mundial de 2009.

Pressupondo que a pandemia se dissipe no segundo semestre de 2020 e que as medidas de política econômica tomadas em todo o mundo sejam eficazes para evitar a quebra generalizada de empresas, demissões em massa e tensões financeiras em todo o sistema, projetamos que o crescimento mundial em 2021 se recupere para 5,8%. Esta recuperação em 2021 será apenas parcial, pois o nível da atividade econômica deve permanecer abaixo do que havíamos projetado para 2021 antes do surto do vírus. A perda acumulada do PIB mundial em 2020 e 2021 em decorrência da crise pandêmica pode ser de cerca de 9 trilhões de dólares, superior à soma das economias do Japão e da Alemanha‖.

A Conselheira Econômica e Diretora do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI) acrescenta tratar-se ―de uma crise verdadeiramente universal, pois nenhum país será poupado. O impacto no crescimento dos países dependentes das atividades de turismo, viagens, hotelaria e entretenimento é particularmente grave. As economias em desenvolvimento e de mercados emergentes enfrentam também outros desafios com a reversão sem precedentes dos fluxos de capital em virtude da diminuição do apetite global por risco, bem como pressões sobre o câmbio, enquanto precisam lidar com sistemas de saúde mais frágeis e um espaço fiscal mais limitado para proporcionar apoio.

Além disso, várias economias entraram nesta crise em um estado vulnerável, com crescimento lento e níveis de dívida elevados. Pela primeira vez desde a Grande Depressão, tanto as economias avançadas como as economias em desenvolvimento e de mercados emergentes estão em recessão.

Para este ano, a previsão de crescimento das economias avançadas é de -6,1%. As economias em desenvolvimento e de mercado emergentes cujas taxas de crescimento em geral são bem superiores às das economias avançadas também devem registrar taxas de crescimento negativas de -1,0% em 2020, ou -2,2% se excluirmos a China. A renda per capita deve cair em mais de 170 países. Tanto as economias avançadas como as economias em desenvolvimento e de mercados emergentes devem recuperar-se parcialmente em 2021.