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Especialista alerta que outros tipos de contaminação por ingestão de alimentos também podem causar desequilíbrios letais no corpo, especialmente na atividade renal 

O episódio recente com a substância dietilenoglicol em cervejas da marca Belorizontina trouxe à tona as intoxicações exógenas e a rapidez com que atingem os rins. As intoxicações exógenas acontecem pelo contato do organismo com substâncias que causam um desequilíbrio no corpo, como fertilizantes, pesticidas, cádmio, chumbo entre outros. Aproximadamente 13 milhões de brasileiros apresentam algum grau de problema renal, segundo o mais recente levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

Segundo a doutora Juliana Leme, nefrologista do Plunes Centro Médico, este tipo de intoxicação afeta os rins de forma rápida e muitas vezes é letal.  “A intoxicação acontece em três fases. A primeira com sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos, dor abdominal, que podem ser acompanhados de sonolência. Nessa fase se inicia a acidose metabólica. Um ou três dias depois vem a segunda fase, com insuficiência hepática e insuficiência renal de progressão rápida. Na terceira fase, de cinco a dez dias após a ingestão, aparecem os sintomas neurológicos como paralisia facial, borramento visual, cegueira, alteração do nível de consciência e crise convulsiva”, detalha a especialista.

Similar ao caso da cerveja Belorizontina, as intoxicações acontecem na maioria dos casos após ingerir alimentos contaminados.  A melhor maneira de evitar as intoxicações é a atenção aos alimentos e bebidas. “É importante saber a procedência do alimento e evitar locais com higiene duvidosa. Lavar sempre as mãos e os alimentos é outra tática que deve ser adotada”, diz.

As causas mais comuns de intoxicação e que podem ser eliminadas com a correta higienização são basicamente as infecciosas, já a contaminação por metais pesados e agrotóxicos infelizmente não pode ser evitada somente com essas medidas.