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  • O primeiro Relatório de Mobilidade Social do Fórum Econômico Mundial conclui que o aumento da mobilidade social, um fator-chave da igualdade de renda, em 10% não apenas beneficiaria a coesão social, mas também impulsionaria o crescimento econômico em quase 5% na próxima década· Em todo o Índice Global de Mobilidade Social, apenas algumas nações entre os 82 países cobertos pelo estudo estabeleceram as condições certas para promover a mobilidade social· Os cinco primeiros colocados são todos escandinavos, e as cinco economias listadas com as que mais têm a ganhar com o aumento da mobilidade social são China, Estados Unidos, Índia, Japão e Alemanha· Quatro dimensões emergem como prioridades para melhorar a mobilidade social globalmente: salários justos; proteção social; formação contínua; e melhores condições de trabalho· Brasil ocupa a 60ª posição. Considerando os países emergentes, está atrás da Rússia (39ª posição), da China (45 ª), e à frente da Índia (76 ª) e África do Sul (77 ª).

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Davos-Klosters,Suíça, 20 de janeiro de 2020 – A criação de sociedades onde todas as pessoas têm a mesma oportunidade de realizar seu potencial na vida, independentemente do contexto socioeconômico, traria enormes benefícios sociais na forma de desigualdades reduzidas e vidas mais saudáveis ​​e realizadas. Também aumentaria o crescimento econômico em centenas de bilhões de dólares por ano. Esta é a principal descoberta do Relatório de Mobilidade Social do Fórum Econômico Mundial 2020, publicado hoje.

O relatório mede 82 economias em cinco dimensões principais, necessárias para criar mobilidade social e distribuídas em 10 pilares. São elas: Saúde; Educação (acesso, qualidade e equidade); Tecnologia; Trabalho (oportunidades, salários, condições); e proteções e instituições (proteção social e instituições inclusivas).

Um tema comum no relatório é que poucas economias têm condições adequadas para promover a mobilidade social. Como consequência, a desigualdade tornou-se arraigada e provavelmente vai piorar em meio a uma era de mudanças tecnológicas e esforços para uma transição verde. O relatório identifica quatro áreas principais entre os 10 pilares em que o progresso – tanto nas economias desenvolvidas quanto nas emergentes – está particularmente atrasado: baixos salários; falta de proteção social; condições inadequadas de trabalho; e maus sistemas de aprendizagem ao longo da vida para trabalhadores e desempregados.

“As consequências sociais e econômicas da desigualdade são profundas e abrangentes: um crescente sentimento de injustiça, precariedade, perda percebida de identidade e dignidade, enfraquecimento do tecido social, erosão da confiança nas instituições, desânimo nos processos políticos e erosão do contrato social. A resposta das empresas e do governo deve incluir um esforço conjunto para criar novos caminhos para a mobilidade socioeconômica, garantindo que todos tenham oportunidades justas de sucesso”, disse Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial.

O retorno econômico da elevação da mobilidade social é considerável. Segundo o relatório, se as economias conseguissem melhorar sua pontuação de mobilidade social em 10 pontos, o PIB aumentaria em 4,4% até 2030, além dos benefícios sociais que esses investimentos trariam.

Além disso, o relatório alerta que, embora a mobilidade social exija um novo conjunto de investimentos públicos, é a mistura e a qualidade dos investimentos que os tornarão eficazes e devem ser combinados com mudanças nas práticas de negócios. Melhorar a mobilidade social é um desafio multissetorial, no qual as empresas também devem liderar, promovendo uma cultura de meritocracia na contratação, fornecendo educação profissional, capacitação, aprimoramento, melhoria das condições de trabalho e pagamento de salários justos.

A mobilidade social em 2020

As sociedades mais socialmente móveis do mundo, de acordo com o Relatório de Mobilidade Social, são todas europeias. No primeiro ano do relatório, os países nórdicos ocupam os cinco primeiros lugares, liderados pela Dinamarca (com 85 pontos), seguidos por Noruega, Finlândia e Suécia (acima de 83 pontos) e Islândia (82 pontos). Completando o top 10 estão os Países Baixos (6º), Suíça (7º), Áustria (8º), Bélgica (9º) e Luxemburgo (10º).

Entre as economias do G7, a Alemanha é a de maior mobilidade social, ocupando o 11º lugar com 78 pontos, seguida pela França na 12ª posição. O Canadá vem em seguida (14), seguido pelo Japão (15), Reino Unido (21), Estados Unidos (27) e Itália (34).

Entre as grandes economias emergentes do mundo, a Rússia é a mais socialmente móvel do grupo dos BRICS, ocupando a 39ª posição, com 64 pontos. Em seguida é a China (45), seguida pelo Brasil (60), Índia (76) e África do Sul (77).

O relatório também examina quais economias podem ganhar mais com o aumento da mobilidade social. A economia que mais tem a ganhar é a China, cuja economia pode crescer US$ 103 bilhões adicionais por ano, ou US$ 1 trilhão de dólares ao longo da década. Os EUA são a economia que obteriam o segundo maior ganho, US$ 87 bilhões por ano. Em seguida vem Índia, seguida pelo Japão, Alemanha, Rússia, Indonésia, Brasil, Reino Unido e França. Mais importante ainda, os retornos são intangíveis na forma de coesão social, estabilidade e maior oportunidade para mais pessoas realizarem seu potencial.

Os temores sobre a mobilidade social pesam sobre o público global. De acordo com um estudo realizado exclusivamente para o Fórum Econômico Mundial pela Ipsos, 44% dos entrevistados globais acreditam que as perspectivas para a juventude de hoje em relação a poder comprar sua própria casa serão piores do que para os pais, em comparação com apenas 40% que acreditam que as perspectivas serão melhores. A pesquisa também descobriu que mais pessoas são pessimistas do que otimistas na juventude de hoje em comparação com os pais quando se trata de ter um emprego seguro, podendo viver confortavelmente quando se aposentam ou protegidas de crimes ou danos.

Um apelo aos stakeholders do capitalismo

O relatório apresenta um argumento poderoso para os stakeholders do capitalismo. As economias mais socialmente móveis compartilham uma ênfase em políticas sociais eficazes que beneficiam as comunidades e fornecem uma plataforma para economias saudáveis e competitivas. Em comparação às economias que estão mais organizadas em “maximizar o valor para o acionista”, ou “capitalismo de estado”, tendem a apresentar menos desempenho. Para otimizar a mobilidade social, o relatório pede ações nas seguintes áreas:

· Um novo modelo de financiamento para a mobilidade social: melhorar a progressividade tributária da renda pessoal, políticas que abordem a concentração de riqueza e reequilibrem amplamente as fontes de tributação podem apoiar a agenda da mobilidade social. Mais importante, porém, a combinação de gastos públicos e incentivos políticos deve mudar para dar maior ênfase aos fatores dos gastos sociais.

· Educação e aprendizagem contínua ao longo da vida: visando melhorias na disponibilidade, qualidade e distribuição de programas educacionais, bem como uma nova agenda para promover o desenvolvimento de habilidades ao longo da vida profissional, incluindo novas abordagens para o financiamento conjunto desses esforços entre os setores público e privado.

· Um novo contrato de proteção social: um contrato que oferece proteção holística a todos os trabalhadores, independentemente de seu status de emprego, particularmente no contexto de mudanças tecnológicas e transições da indústria, que vão exigir maior suporte para a transição de empregos na próxima década.

· As empresas devem assumir a liderança: promover uma cultura de meritocracia na contratação, fornecendo educação profissional, requalificação e qualificação, melhorando as condições de trabalho e pagando salários justos. Isso inclui planos específicos do setor empresarial para lidar com as desigualdades históricas entre os setores.

“Melhorar a mobilidade social deve ser o imperativo fundamental desta nova década: enquanto as chances de um indivíduo evoluir permanecer desproporcionalmente influenciadas por seu status socioeconômico no nascimento, as desigualdades nunca serão reduzidas. Em um mundo globalizado, onde há informações transparentes sobre o abismo entre os que têm e os que não têm, continuaremos a ver descontentamento, com consequências de longo alcance para o crescimento econômico, a transição verde, o comércio e a geopolítica. A mobilidade social é importante para a construção de um mundo mais justo e otimista, mas também porque não conseguiremos alcançar outros objetivos sem ela”, afirmou Saadia Zahidi, diretora administrativa de Nova Economia e Sociedade do Fórum Econômico Mundial.

Plataforma para moldar o futuro da nova economia e sociedade

O Relatório de Mobilidade Social é uma nova publicação da Plataforma do Fórum Econômico Mundial para Moldar o Futuro da Nova Economia e Sociedade. A plataforma visa promover economias e sociedades prósperas, inclusivas e equitativas. Ele se concentra em três áreas interconectadas: crescimento e competitividade; educação, habilidades e trabalho; e igualdade e inclusão. Trabalhando juntos, os stakeholders aprofundam sua compreensão de questões complexas, moldam novos modelos e padrões e conduzem ações colaborativas e escaláveis ​​para mudanças sistêmicas.

Mais de 100 das principais empresas do mundo e 100 organizações internacionais, da sociedade civil e acadêmicas trabalham atualmente com a plataforma para promover novas abordagens de competitividade na economia da Quarta Revolução Industrial; implantar educação e habilidades para a força de trabalho de amanhã; criar uma nova agenda pró-trabalhador e pró-negócios para empregos; e integrar a igualdade e a inclusão na nova economia, com o objetivo de atingir 1 bilhão de pessoas com melhor educação, habilidades, empregos e oportunidades econômicas até 2030.