Confirmadas as estimativas para 2019 e 2020, será a pior década da história.

Destaca a publicação Monitor Mercantil, de 06 de dezembro último:

“Ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresça, em média, 2,3% ao ano entre 2021 e 2024, como espera o Fundo Monetário Internacional (FMI), aumentará menos da metade do previsto para os países emergentes, cuja expectativa é de 4,8%.

Entre 2011 e 2020, o Brasil deverá marcar taxa média anual de expansão de 0,8%, segundo reportagem da Agência Reuters. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima que, confirmadas as estimativas para 2019 e 2020, o Brasil terá a pior década de sua história econômica.

Anúncio

José Luís Oreiro, professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília), listou à agência três pontos que impedem o país de alcançar na década de 2020 um crescimento sustentado: o nível disponível no orçamento público para investimento em infraestrutura é baixo; a desindustrialização da economia doméstica; e o déficit em conta corrente. Nos 12 meses até outubro, o rombo é de 3% do PIB – pior dado desde dezembro de 2015 (-3,03%).

Em recente artigo, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., que foi diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países, analisa que, se não houver choques de grande magnitude – por exemplo, uma crise financeira internacional ou, ainda, uma crise política no Brasil que desorganize tudo –, parece perfeitamente possível que a economia nacional consiga finalmente sair da casa de 1% para algo como 2% a 2,5% de crescimento, “talvez um pouco mais”.

Batista Jr. credita esta melhora a uma “mudança silenciosa da política econômica brasileira desde meados do ano”. O Ministério da Economia se afastou do fundamentalismo de mercado e adotou medidas como a redução da taxa Selic, acionou a Caixa para reduzir o custo e ampliar a oferta de crédito e liberou recursos do FGTS.

Além disso, “introduziu-se o 13º salário para a Bolsa Família e os recursos com os leilões do pré-sal foram usados para descontingenciar gastos federais; e a sua distribuição para estados e municípios favorecerá a ampliação do gasto público, particularmente em um ano eleitoral como 2020”, afirma Paulo Nogueira. O movimento governista foi chamado de “keynesianismo envergonhado” por Nelson Barbosa em artigo publicado na Folha de S.Paulo”.

Saneamento básico para todos só daqui a 65 anos

Expansão do atendimento à população cresce apenas 1,5% em um ano.

A edição do Monitor Mercantil, de 11 de dezembro último destaca que a “cobertura nas redes de esgotamento sanitário no Brasil cresceu 4,1%, em 2018, alcançando um total de 325,6 mil quilômetros, com mais 2 milhões de pessoas atendidas. Isso representa que o número de brasileiros com acesso a rede de esgoto passou de 52,4% da população para 53,2%, um avanço de apenas 1,5%.

Nesse ritmo, o país levaria 49,3 anos para levar esgotamento sanitário à população atual, sem levar em conta o acréscimo de pessoas nesse período. Como a projeção do IBGE é que o Brasil atinja o pico de 240 milhões de habitantes em 2060, 30 milhões a mais que atualmente, seriam necessários, no total, cerca de 65 anos para universalizar o saneamento básico.

Os números constam do levantamento Diagnósticos da Prestação de Serviços de Saneamento Básico 2018, do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, e indicam ainda que 62,78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos foram coletados no mesmo ano.

Os dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) mostram que menos da metade do esgoto, 46,3%, é tratada.

As redes de água potável registraram aumento de 3,4%, passando a ter 662,6 mil quilômetros. Em 2018, 83,6% da população tinha acesso a rede de água, um acréscimo de apenas 0,12% em relação aos 83,5% atendidos no ano anterior.

O levantamento do MDR reúne informações obtidas junto a 9.780 prestadores de serviços de água, esgotos, manejo de resíduos sólidos urbanos, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas de todo o país. O ministro Gustavo Canuto admitiu que é um “desafio gigantesco” enfrentar o problema do saneamento no Brasil e defendeu que municípios, estados, Governo Federal e setor privado têm de atuar juntos para dar conta desta tarefa.