Ordelio Azevedo Sette*

Há alguns anos Minas Gerais vem apresentando um quadro de estagnação, declínio acentuado de suas atividades e deterioração do ambiente econômico. Belo Horizonte está se tornando uma cidade dormitório, sem um projeto ou modelo de desenvolvimento, perdendo expressão a cada dia no cenário nacional.

Esse momento difícil de Minas e sua capital não é apenas econômico, mas também social e político.

Anúncio

Não decorre apenas da terrível crise nacional que, desde o segundo mandato do Presidente Lula, assola o Brasil e foi muito agravada pelo (des)governo Dilma de triste memória. Temos nossas tipicidades e fatores internos que contribuíram fortemente para o agravamento da situação de Minas Gerais. Fomos além da desastrosa política do governo federal e conseguimos ser piores com a tragédia Pimentel.

O estado, que rivalizava com Rio e São Paulo, hoje está prestes a perder sua posição para o Paraná, apresentando um quadro de fortíssima recessão e completa estagnação de sua economia.

Não sou capaz de apontar todas as causas que nos levaram a esse lamentável momento, pois são muitas, mas me inquieta e inércia das lideranças de nosso estado e dos formadores de opinião.

Na verdade, temos que começar pela constatação de que nosso ambiente político se deteriorou e hoje, infelizmente, não temos mais líderes à altura do passado de Minas. Nossos políticos em geral (salvo raras exceções) perderam representatividade nacional a ponto de termos uma inexpressiva “bancada mineira” no Congresso Nacional.

Só um político mineiro foi lembrado pelo atual Presidente Bolsonaro para compor o inexpressivo politicamente Ministério do Turismo e, salvo raríssimas exceções, os demais sequer participam dos grandes debates e das decisões nacionais, muito menos são referência como foram um Afonso Pena, Afonso Arinos, Delfim Moreira, João Pinheiro, Wenceslau Brás, Juscelino Kubitschek, Milton Campos, Pedro Aleixo, Bias Fortes, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, José Maria Alkmin e tantos outros.

Nossos políticos perderam espaço nacional e Minas os acompanhou ou foi levada a reboque.

Apenas um empresário mineiro, Salim Mattar, que não é político, tem posição de destaque e brilha no governo federal.

Na economia e negócios Minas Gerais perdeu competitividade. Não se pode negar que nossos “carros chefes” mineração, siderurgia,  metalurgia e construção passam por uma crise severa. A mineração muito agravada pelos desastres de Mariana e Brumadinho.

Mas, governos à parte, em Minas a responsabilidade por esse lamentável estado de coisas, também deve ser atribuída à falta de empreendedorismo e à passividade do empresariado mineiro, que a tudo assiste sem uma reação efetiva e organizada. Nossos negócios agonizam, todos empobrecemos, mas parece que a coletividade empresarial não se deu conta desse fato. Predominam as queixas contra os governos, mas a iniciativa privada não assume o lugar que lhe cabe no momento de falência ou inépcia do estado.

Todos esperam que o Governador Zema seja o salvador e resolva os nossos problemas, quando ele infelizmente mal dá conta dos muitos que tem que enfrentar, por ter herdado um estado falido e destroçado.

O resultado de tudo isso está ai para todos vermos, mas o pior cego é aquele que não quer enxergar!

A receita para sairmos desse atoleiro é conhecida sobejamente por todos nós, mas demanda uma mudança de temperamento e uma união de esforços que, a meu ver, será difícil atingirmos. Em primeiro lugar pela apatia das lideranças e dos formadores de opinião em geral e, em segundo lugar, porque em verdade não há um elemento catalisador que possa unir as forças em torno de um objetivo comum. Faltam líderes autênticos e capazes de mobilizar a sociedade.

A realidade dura é que o modelo econômico de Minas já está ultrapassado e não funciona mais nos tempos atuais.

Ainda não ouvi ninguém apresentar uma proposta de modelo novo, sugerir alternativas para desenvolvimento de novas vocações, aproveitando as sinergias existentes no ainda insepulto modelo antigo.

Não há um Plano de Desenvolvimento de Minas Gerais, de reação à mesmice, de mudança nesse Século XXI.

Temos cabeças capazes de fazer isso muito bem, mas não as mobilizamos. As classes empresariais não se mobilizam. Não sei o que estamos esperando, pois esse poço em que já nos encontramos pode não ter fundo. Todos somos responsáveis por esse estado de coisas e vamos responder perante nossos netos e futuras gerações!

DESPERTA MINAS GERAIS!  ACORDA E VAI Á LUTA!

*Advogado sócio do Azevedo Sette Advogados

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da publicação.