Voltado ao mercado financeiro, evento anual promovido pela Refinitiv reuniu autoridades e executivos de bancos e de grandes empresas para discutir o momento desafiador da economia

Inovação e tendências para as operações de câmbio, desafios da política fiscal brasileira, perspectivas para a reforma tributária e próximos passos da economia nacional. Estes foram os principais temas discutidos no Brasil Financial Summit 2019, segunda edição do evento dedicada a debates e discussões sobre tendências, tecnologia e novidades no mercado financeiro, realizado em 17 de outubro, em São Paulo.

O encontro teve participação de importantes nomes da economia nacional, como Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES, e Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.

Mansueto Almeida foi responsável pela apresentação Equilíbrio Fiscal, uma das principais do evento. O secretário do Tesouro Nacional afirmou que o Brasil vive um momento propício para as reformas, que serão fundamentais para os ajustes das contas do governo, pois a sociedade passou a aceitar melhor as medidas estruturais. Nesse sentido, ele aponta que a reforma administrativa é uma das mais importantes na atualidade. “Precisamos fazer lição de casa. Gastamos em demasia com a com previdência, a carga tributária é alta e a população quer mais serviços públicos. No entanto, o governo não tem condições de prover tudo isso, pois as despesas obrigatórias, que hoje consomem 93% da receita do governo, limitam sua capacidade de investimento”, afirma Mansueto.

O secretário do governo comentou ainda que nos próximos meses, o Congresso vai discutir o orçamento para o próximo ano, de R$ 1,480 trilhão, dos quais apenas cerca de R$ 19 bilhões serão destinados a investimentos. “O problema não é o teto dos gastos, e sim o crescimento das despesas obrigatórias, que hoje são a segunda maior despesa do governo, após a previdência. Para recuperar a capacidade de investimento, o governo vai enviar ao Congresso nos próximos meses um projeto de Reforma Administrativa”, disse Mansueto. Além disso, ele sinalizou que o déficit primário para este ano pode ser de R$ 100 bilhões, menor do que os R$ 139 bilhões previstos originalmente. Isso por conta dos leilões de petróleo, que podem incrementar a arrecadação da União neste ano com entre R$ 52 bilhões a R$ 70 bilhões, a depender do resultado dos dois leilões que estão programados para os dias 6 e 7 de novembro.

Outro painel que chamou a atenção do público foi Outlook Econômico 2020, um debate com participação dos economistas Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES; Adeodato Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial; Fernando M. Goncalves, PhD, SVP no Itaú BBA; e Marcelo Toledo, economista-chefe e superintendente executivo de Gestão de Renda Fixa e Crédito da Bradesco Asset Management. O foco principal das discussões foi a respeito das incertezas da economia brasileira, as ações necessárias para o crescimento do país para o próximo ano, política de juros e perspectivas para a Reforma Tributária.

“É preciso tomar cuidado com a euforia de juros baixos. Tenho 50 anos de experiência e já vivi situações parecidas. Em todas elas o resultado não foi bom para ninguém. Redução de juros precisa ser feita de maneira devidamente pensada. Não se pode desconsiderar o ciclo econômico”, afirma o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. “Acredito que no 4º trimestre de 2020, na comparação anual, o Brasil estará crescendo 3%. As mudanças (reformas) são absolutamente corretas. A economia não vai crescer apenas com juros baixos, com bancos ampliando oferta de crédito e com estabilidade de contas correntes”, completa o ex-presidente do BNDES.

Além do cenário econômico brasileiro, o Brasil Financial Summit 2019 promoveu uma série de discussões sobre o uso da tecnologia para operações de internacionais de câmbio. Neill Penney, um dos maiores especialistas mundiais em câmbio e integrante do seleto comitê responsável pelo FX Global Code, e diretor Administrativo e Chefe Global de Negociação na Refinitiv, foi responsável por uma apresentação sobre as mudanças estruturais que as negociações eletrônicas trazem para o mercado global de FX.

“A tecnologia e a inovação estão modificando fundamentalmente o mercado de operações de câmbio. O resultado central são preços mais estáveis e operações mais simples. A diminuição da volatilidade cria um campo de atuação mais nivelado”, ressalta Penney. “Nunca os dados de confiança foram tão importantes para as operações de câmbio. Em um mundo com tantas variáveis, como as discussões do Brexit, guerra comercial dos EUA e China, além de tensões em outros países, fazem com que os conteúdos e tecnologias tenham mais relevância na tomada de decisões, por meio de insights mais precisos”, completa Penney.

Outros dois painéis exploraram a tecnologia pelo ponto de vista dos dois lados nas operações de câmbio. A visão dos compradores foi debatida no painel Buy Side: Estratégias de Hedging, com participação de Adriano Carvalho, Gerente de tesouraria na Cosan; Kleber Douvletis, CFO Siemens Healthineers Latin America; Lindnei Junior, Gerente financeiro na Scania Group; e Vinicius Guidotti, Head of Treasury na Barry Callebaut. O foco das discussões se concentrou nos ganhos de eficiência pelo uso de tecnologia nas operações, assim como a mudança de atuação dos profissionais, que passam a ser mais analíticos do que executores.

Já os vendedores debateram no painel Sell Side: Automação de tesouraria nos bancos, com André Ricardo Biasetto, Superintendente de Mesas e Vendas Especializadas na Tesouraria do Itaú BBA; Rafael Kappaz, Managing Director, Head of FIC Large Corporate Sales at Santander Brasil; Ricardo Rosa, Head of Corporate Sales Desk South America Rabobank International; e Sérgio Machado, Head of Brazil Global Market Corporate Sales do BNP Paribas. Os temas principais foram as estratégias de investimento em tecnologia, a gestão de risco para implementar automação de maneira inteligente e o ganho de compliance com o uso eficaz da tecnologia.

A última apresentação do dia foi feita pelo economista Henrique Meirelles. O secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo contextualizou os movimentos feitos pelo governo brasileiro na década que resultaram no atual momento econômico brasileiro, resultando no cenário positivo para reformas estruturais. O encerramento do evento ficou por conta de Adrian Owen, Head da Refinitiv para América Latina. O executivo afirmou que o Brasil nunca foi tão importante para a empresa, ressaltando a presença de nomes importantes no Brasil Financial Summit 2019.

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