*Por Manoel Mario de Souza Barros

A invasão das tecnologias digitais leva a pecuária a uma nova fase, prometendo manejo mais inteligente e expressivos ganhos de produtividade e rentabilidade. Essas tecnologias vão do cocho ao bebedouro e por aí afora. Equipamentos modernos e automáticos, monitoram o consumo de comida e água e fornecem os insumos na quantidade certa e nos momentos exatos. Nas chamadas balanças de passagem instalados nos pastos ou nos currais de confinamento garantem precisão com agilidade. Hoje nosso pecuarista monitora e acompanha em tempo real, até o comportamento do rebanho e, no caso, de dispositivos tridimensionais, já sendo possível fazer estimativa do peso dos animais. Também o reconhecimento facial. Na era Cowtech e por via satélite, as imagens captadas do espaço, podem ser usadas até para avaliar a disponibilidade e a qualidade das pastagens. Já os recentes equipamentos de drones, estão sendo usados até para a contagem física do rebanho e na identificação por termovisores de eventuais animais doentes ou feridos.

Com a tecnogia Cowtech, o pecuarista coloca diretamente no animal – por exemplo um brinco eletrônico em uma das orelhas e promove um ponto de integração de diversas informações sobre os animais, como genética, sanidade mental, até mesmo sua nutrição específica e seu desempenho. Já com sensor de cauda, já é possível prever quando a vaca vai parir e envia um SMS para o pecuarista uma hora antes do parto. E, para controlar sua ruminação, através de um colar eletrônico, também pode identificar eventuais doenças do rebanho, prevenir problemas maiores e ainda indicar até quando a vaca está no cio.

Com esta verdadeira central de controles são baseados aplicativos para smartfones. A conexão dessas ferramentas e plataformas integrarão um banco de dados que serão disponibilizados em sistema de nuvem. Mas esta transformação toda não passa apenas por equipamentos e conexões digitais. A gente sabe que o ser humano é, ao mesmo tempo, neofílico e neofóbico – desejando sempre o novo, mas sempre em situação de temor. E, ainda, tem-se uma gama significativa de produtores que não sabe, eventualmente, o que fazer com os dados apurados.

Nosso maior desafio, no meu entendimento, vai desde o processo de conseguir dizer que esses dados precisam fazer sentido no contexto sistêmico maior para que seja de fato útil e ajude  o pecuarista na tomada de decisão e principalmente que tenha impacto no seu negócio. Devemos ter cuidado de colocar essas novas tecnologias e, ao mesmo tempo, ajudar no processo educacional para que essas ferramentas façam sentido. Projetos de ponta como esse, colocou a Empresa Coimma em 2018, na lista da Revista Forbes, das dez mais inovadoras do Brasil. A companhia brasileira enfrenta concorrentes com poder global. A alemã Bosch também ingressou neste segmento, mas com a opção de atender os confinamentos exatamente por conta do estresse mecânico ao qual o equipamento fica exposto nesse sistema de criação.

O Brasil, cada vez mais, vai se consolidando na aceleração de nova pecuária avançada, sendo considerado atualmente,uma das mais importantes do mundo.

*Advogado, presidente da Comissão do Direito do Agronegócio da OAB/MG e diretor Executivo do Agronegócio da Câmara Internacional de Negócios.


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