Nova crise mundial se aproxima, e país não mostra sinais de superação.

Desde a década de 1980, o Brasil registra trajetória de expansão média anual do PIB per capita de apenas 0,7%, “o que permite reconhecer, salvo períodos distintos, como nos anos 2000, a consolidação de uma espécie de epidemia da semiestagnação secular”, analisa o economista Marcio Pochmann.

“Nesses quase 40 anos, os países em desenvolvimento apresentaram ritmo de expansão PIB per capita média anual de 3% (4,3 vezes mais que o Brasil). Mesmo os países de alta renda média registraram crescimento médio anual de 1,7% após 1980 (2,4 vezes acima do Brasil)”, informa o professor da Unicamp no artigo “Sem retomada no horizonte, Brasil tende a aprofundar a estagnação”.

As taxas medíocres de crescimento, com raras exceções, levaram ao decréscimo relativo da participação da economia brasileira no mundo. No ano de 2018, por exemplo, a participação do Brasil no PIB mundial foi de 2,5%, enquanto em 1980 era de 4,4%. Em 1930, a participação do Brasil no PIB mundial encontrava-se abaixo de 1%, o que mostra o quanto crescemos e o quanto estamos retrocedendo.

Pochmann se preocupa com os sinais de nova crise mundial. “Quase 11 anos após o começo da crise que abalou a globalização neoliberal, anuncia-se novamente o retorno possível da recessão mundial. Não apenas os indicadores financeiros nos Estados Unidos, como a inversão da trajetória das taxas de juros de curto prazo acima das de longo prazo, mas a desaceleração no ritmo da produção em vários países, inclusive na China, e o desempenho negativo na Alemanha apontam para reversão da economia mundial”, analisa.

O cenário de incertezas “guarda certa aproximação com os anos que sucederam a Depressão de 1929, quando emergiu nova ordem para reconfigurar a dinâmica mundial, após a decadência inglesa”.

(Fonte: Monitor Mercantil)