A imprevisibilidade é um dos maiores fenômenos da existência humana. Arriscar uma projeção sobre o futuro, qualquer que seja ela, é atividade de altíssimo risco. Nem mesmo a ciência, quaisquer delas, consegue fazê-lo. A tese de hoje pode cair por terra amanhã.

Talvez resida aí a beleza inquestionável da vida. A possibilidade de estupefação diante do imponderável. Como um escudo de antecipação, o estado de insofrimento poupa a todos das chamas do inferno ou das benesses celestiais.

Homens e mulheres viverão sempre seduzidos pelo desvendar do amanhã. Esse o mistério da vida com suas fragilidades. Ainda nos atrai como a luz da lanterna ao inseto, o ciclo rotacional da Terra. Inexoravelmente, depois do dia vem a noite. Essa bola de cristal inexiste, contudo, porque por trás do inusitado, se esconde a morte, a miséria, a degradação. As surpresas chegam com alegria e boas-novas em ínfima proporção.

Uma boa leitura do passado aumenta as hipóteses de acerto frente um histórico a se construir. A economia prova por meio de cruzamentos de gráficos e números que o receituário dos gastos e investimentos públicos forma a base de crescimento e desenvolvimento ou inflação e recessão de uma nação. Tudo depende do esforço de quem está ao volante do estado. A ciência econômica não cogita, todavia, que estamos sujeitos a malucos de toda monta, inclusive, com sérios problemas do âmbito pessoal no campo psicossomático. No papel, isso se mostra plausível com reações favoráveis ou desfavoráveis em cadeia, com variações entre a taxa de desemprego, alta do PIB ou queda em bolsa de valores. Embora exista um serviço de meteorologia, cujas previsões do tempo fazem parte do cotidiano das pessoas e das empresas, surpresas se sucedem, no geral, desagradáveis, visto ser indomável a natureza. Ela extermina safras, arruína os grandes centros urbanos, causa mortes. A medicina frente um diagnóstico apurado e tecnológico consegue prever doenças graves. E, vez ou outra, curá-la. A condição de cada paciente é única. A regra, então, deixa de ser certeira. Uma equipe de futebol, com os melhores salários pagos aos atletas, tem tudo para liquidar o adversário inferior. Até certo ponto. O dinheiro não compra, entretanto, um esforço físico supremo e, sobretudo, superação e dignidade, qualidade inerente aos pobres e fracos.

São inúmeros os exemplos de imprevisibilidade. Não adianta letrados, alfabetizados e futurólogos se imiscuírem nesta seara, pois será em vão. Ainda bem! Quão sem graça seria a vida sem o súbito fato que agrega ou fraciona famílias, povos e nos induz, a todos, a refletir sobre a nossa pequenez no universo.                     

* Por Márcio Fagundes