Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Donec nec mauris interdum, suscipit turpis eget, porta velit. Praesent dignissim sollicitudin mauris a accumsan. Integer laoreet metus

Debate político gera volatilidade

Apesar da turbulência política diante dos preparativos das eleições, o que eleva a volatilidade dos ativos financeios, principalmente os de risco como ações, dólar e ouro, o País inicia 2018 em cenário econômico menos preocupante do que o dos últimos anos.

Não se pode desconsiderar que a instabilidade política pode afetar diretamente os investimentos na bolsa brasileira – a B3 -, que fechou 2017 com alta acumulada expressiva. Os ativos de renda fixacontinuam com rentabilidade real (descontada a inflação)bastante expressiva, apesar da diminuição da remuneração das cadernetas de poupança.

O juro real brasileiro – Selic menos inflação projetada – continua oscilando entre 3% e 4% ao ano, uma das maiores taxas mundiais, o que mantém a atratividade dos papéis e títulos brasileiros juntos aos grandes investidores internacionais.

Dólar, fundos cambiais e ouro sofrem grandes influênciasdo mercado internacional. Mas o novo dirigente do banco central americano, o FED – Federal Reserve, Jerome Powell assegura tranquilidade ao mercado financeio dos EUA já que ele é altamente experiente, e ao que tudo indica, não fará movimentos bruscos na política de juros da maior economia do mundo. Não se espera assim a fuga em larga escala dos investimentos financeios no Brasil para os EUA.

Sob o comando do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, o desempenho da economia alcançou nos últimos meses, os êxitos que a política partidária e as constantes denúncias de corrupção permitiram. O crescimento do déficitpúblico continua preocupante, o que dificultao corte mais acentuado dos juros básicos, a taxa Selic. O alcance de inflação próxima de 4% em 2018 é o contrapeso. Mas pelo menos, a equipe econômica tenta equacionar essa questão da melhor maneira possível, já que o governo não tem condições de realizar corte severo dos gastos públicos como a situação fiscal e quer.

MELHORAS PREVISTAS

Os especialistas ressaltam o êxito da política monetária conduzida pelo Banco Central ( BC). A reces-são dos anteriores e o baixo crescimento previsto para 2017, da ordem de 0,7%, sozinhos não seriam capazes de conter a inflação abaixo da meta de 4,5% ao ano estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A previsão do crescimento econômico da ordem de 2,5% no ano que se inicia conjugada com a continuidade de diminuição do desemprego, Selic na faixa de 7% ao ano, dólar a R$ 3,30 daqui a 12 meses, superávit comercial de US$ 53 bilhões e ingresso de US$ 80 bilhões em investimentos estrangeiros diretos compõem o cenário relativamente otimista apurado pelo BC em novembro passado junto aos principais participantes do mercado financeio através do boletim Focus.

FAKES NA PREVIDÊNCIA

Eram muitas no final de 2017 as dúvidas sobre a aprovação da reforma da previdência. Esse quadro contribui para elevar a instabilidade no mercado financeio e a desconfiança dos investidoes em relação ao Brasil.

O tema da mais alta complexidade não mereceu o debate amplo que requeria. Os especialistas são unânimes em apontar que a reforma é indispensável para reduzir o crescimento do déficitpúblico nas próximas décadas. Centravam, no entanto, suas preocupações no corte de direitos dos benefícios e aumento do limite de idade para 65 anos dos contribuintes. Não se cogitava da adoção de medidas para buscar o aumento da receita da previdência através da redução do desemprego, da diminuição de isenções para empresas e cobrança dos bilionários débitos de pessoas jurídicas e bancos.

A memória dos recursos vultosos desviados da previdência para construções faraônicos pelos governos no passado simplesmente não existe. Nenhum grande especialista e ex-ministros da área chegam a aventar a hipótese de que grande parte do déficitda previdência ocorre devido à falta de capitalização dos recursos arrecadados durante anos e desviados pelo governo.

O déficit em grande parte não é assim da pre-vidência, mas do tesouro do governo. O ex-ministro Delfim Netto é umas das exceções ao ressaltar que os pagamentos a beneficiários da área rural, sem a contribuição específica, foi previsto na atual constituição e, portanto, não é de responsabilidade da previdência.

Pensões vultosas pagas a ex-deputados e senadores e seus suplentes com um mandato ou menos não são levadas ao debate. O déficit do setor público não é considerado. Diversas categorias como a dos militares ficam fora da eforma, etc. 

As notícias falsas (fakes news) ou incompletas relativas à previdência são maioria na grande mídia.

PERDA NA POUPANÇA

O maior exemplo de que a população não assimila os juros nominais menores ocorreu com as cadernetas de poupança em outubro. Essa forma mais popular e líder da preferência dos investidores registrou perda líquida (aplicação menos saques) quando entrou em vigor a nova regra de sua remuneração, correspondente a 70% da taxa Selic mais o percentual da TR em vez dos 0,5% fixosao mês mais a variação da TR. Esse comportamento dos investidores é significativopois a poupança representa 16% da preferência dos 23% do total das pessoas que aplicam o dinheiro no mercado financeio. A poupança detinha em outubro passado estoque de quase R$ 700 bilhões.

ALTAS E BAIXAS

A maior parte dos analistas acreditava no finalde 2017 na continuidade da tendência de alta da bolsa brasileira, apesar das turbulências geradas pelo debate das grandes questões como a reforma da previdência, eleições e constantes denúncias de corrupção praticadas por autoridades.

Depois de bater nos 78 mil pontos, o Ibovespa recuou para 72 mil pontos no início de novembro. Ocorreram também realizações de lucros com parte das ações que registraram valorizações expressivas nas semanas anteriores.

Analistas apontavam ações dos principais bancos – Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander – que registraram alta de quase 15% nos seus lucros no terceiro trimestre deste ano, apesar da redu-ção dos empréstimos, como algumas que ofereciam bom potencial de valorização. Apontavam como oportunidades o que eles chamam de “ações defensivas” ou que ofereceriam chances de proteção diante de cenário adverso. Entre elas foram citadas as do Itaú Unibanco, Lojas Americanas, Ambev e Ser Educacional. São su-gestões que devem ser bem avaliadas com ajuda de analistas de confiança.

As ações das duas grandes produtoras de commodities – Petrobras e Vale- também não podem ser desconsideradas devido ao peso que representam na formação do índice Bovespa. A tonelada do minério de ferro se manteve próxima dos US$ 60 no finaldo ano passado, e a demanda chinesa pela commodity continuava firme.

Em relação à Vale e a sua sócia BHP era considerado o peso das indenizações dos vultosos prejuízos causados pelo Samarco às populações atingidas pelo acidente/crime ambiental de Mariana. São constantes as denúncias de que não são cumpridas as obrigações relativas às indenizações e a Samarco não consegue voltar a operar.

Sob o comando de Pedro Parente, a imagem e as finançasda Petrobras continuam melhorando. A nova política de preços da estatal, que acompanha pela primeira vez em décadas as oscilações do mercado internacional, ajuda na precificaçãoda ação da estatal. O petróleo acima de US$ 50 i barril é o fator decisivo.

Em Minas, causa tristeza a situação da Cemig que perdeu quatro de suas grandes usinas representativas de cerca de 40% de sua geração de energia, devido a desentrosamento técnico do governo estadual passado com a gestão Dilma Roussef, e mais recentemente pela falta de prestígio político do Estado. 

A estatal que foi cobiçada em passado recente pelos grandes internacionais, Southern e AES e pela Andrade Gutierrez, agora acumula dívida elevada, resultados financeios fracos, e tenta vender ativos emblemáticos como a Light.

Fernando Soares Rodrigues

Jornalista especializado em economia e finanças