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Fernando Soares Rodrigues

Jornalista especializado em economia e finanças

No início de setembro passado, três fatores econômicos conseguiram desviar um pouco a atenção do investidor da turbulência política, que registra variações bombásticas diariamente. O principal deles foi a redução da taxa Selic (os juros básicos da economia) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de 9,25% ao ano para 8,25% ao ano.

A autoridade monetária, ao diminuir em um ponto percentual essa taxa, que é a referência para as aplicações financeirasde renda fixa,demonstra confiançana continuidade da queda da inflaçãoconsiderada por analistas mais lúcidos com o principal mal da economia de qualquer país. Em seguida, os bancos imediatamente anunciaram cortes minúsculos nos juros exorbitantes dos seus empréstimos numa atitude típica de marketing para o impressionar os menos versados em política monetária.

POUPANÇA SOFRE

A consequência mais imediata do corte da Selic foi a ligeira queda nominal na rentabilidade das cadernetas de poupança ou o segundo fator econômico objeto desse comentário. Desde 2012, toda vez que a taxa Selic recua para menos de 8,50% ao ano, a forma mais tradicional para se resguardar o dinheiro da corrosão inflacionária,a caderneta da poupança passa a oferecer rendimentos correspondentes a 70% dos juros básicos da economia mais o percentual de variação da TR (Taxa Referencial). A poupança rende agora então 5,77% ao ano mais a TR frente ao rendimento anterior correspondente a 6,17% ao ano mais a TR.

De acordo com o cálculo anterior ou o atual, a poupança continua rendendo 0,5% ao mês. O mais importante é considerar que os ganhos nominais dessa forma mais popular de investimento financeio e dos demais ativos de renda fixarecuaram um pouco, mas continuaram atraentes diante dos ganhos reais elevados (taxa bruta menos inflação).As cadernetas no curto prazo – menos de seis meses a um ano – continuam oferecendo rendimentos altamente competitivos pois são líquidos ou sem a dedução do Imposto de Renda.

IGUAL NA RENDA FIXA

Os demais ativos de renda fixa– Certificadosde Depósitos Bancários -CDBs, títulos do tesouro, fundos de investimentos financeios, etc. -também oferecem agora rentabilidade nominal menores devido ao corte na Selic. Mas sobre eles incidem alíquotas decrescentes elevadíssima do IR – 22,5% nos seis primeiros me-ses – além de taxas de administração elevadas (acima do ideal de 1% ao ano) e o mecanismo de “come cotas” nos fundos de investimentos financeios.

É preciso considerar que o juro real no Brasil continua elevadíssimo, pois o terceiro fator objeto inicial desse comentário, é a queda brusca da inflaçãooficialque ficouem 0,19% em agosto passado (pelo IPCA calculado pelo IBGE). Nos doze meses anteriores a agosto passado, a inflaçãoacumulou 2,46% abaixo do centro da meta de 4,5% para o ano fixadapelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

CENÁRIO MELHOR

O investidor na renda fixapode continuar relativamente tranquilo porque seus rendimentos reais continuarão elevados. Após o último corte da Selic em seis de setembro passado, o BC anunciou que realizará cortes mais moderados nos juros básicos. As projeções apuradas junto ao mercado financeio pelo boletim Focus do BC no início de setembro não são desanimadoras para o investidor em renda fixa Os analistas ouvidos preveem para o finaldezembro próximo inflaçãoanualizada de 3,38%, taxa Selic de 7,25% ao ano e dólar comercial no patamar de R$ 3,20. O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 0,5% no ano ou um pouco mais, o que significaque não existem condições para pressões inflacionárias.As contas externas do País estão também sobre controle. A balança comercial deve fechar o, ano segundo o boletim Focus, com superávit comercial de US$ 61 bilhões, e o ingresso dos investimentos externos pode alcançar os US$ 75 bilhões ajudando a cobrir o possí-vel déficit nas contas corentes.

BOAS PROJEÇÕES

Para o próximo ano, as projeções também são boas. O destaque é o PIB pode crescer 2% ou até mais segundo o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda. A inflaçãodeve fechar 2018 em 4,18%, o dólar comercial em R$ 3,35% e a taxa Selic em 7,50%. O baixo consumo diante da manutenção do desemprego no patamar superior a 13 milhões e a credibilidade dos administradores da política econômica ajudam a segurar a inflaçãoem patamar modesto. Esse fator ocorre mesmo diante das dificuldadesdo governo em conter os gastos públi-cos neste ano e no próximo. Os mais realistas admitem que até o próximo governo enfrentará dificuldadesna contenção dos gastos públicos.

MAIS SÓ COM RISCO

Quem não estiver satisfeito com a rentabilidade dos ativos de renda fixatem dois caminhos. Deve aplicar suas economias em empreendimentos próprios e assumir os riscos, ou buscar melhor remuneração na bolsa de valores diretamente ou através de fundos de ações e multimercados, por exemplo.

Na bolsa de valores brasileira, os preços das ações subiram bastante nas últimas semanas, principalmente após o anúncio pelo governo federal da decisão de privatizar a Eletrobras e mais outros 56 empresas sob seu controle. O mercado já precificou parcialmente essas privatizações. Analistas mais céticos consideram, no entanto, que dificilmenteo atual governo terá tempo para conduzir essas vendas de estatais. Grandes investidores internacionais ainda estão atentos ao desenrolar complexo da política interna e estariam propensos a in-vestir mais pesado no Brasil somente após as eleições presidenciais. Questões ideológicas já afastadas dos grandes países, inclusive China, ainda pesam muito na condução da política econômica brasileira. A ascensão de um Presidente da República do gênero “bolivariano” ainda não está descartada.

Mesmo com o Ibovespa acima dos 70 mil pontos existem oportunidades de valorizações no Brasil. Os interessados nos ativos de riscos como ações devem consultar analistas de investimentos de confiançae acompanhar o dia-a-dia da economia, antes de investir. Sempre é bom recordar que a pessoa não deve aplicar mais do 20% do seu total disponível para investir em ações.

LONGE DO IDEAL

O mercado brasileiro continua muito influencido pelas ações de grandes companhias como a Petrobras em processo de recuperação após ser saqueada nos últimos governos petistas, e pelas da mineradora Vale que passaram por um processo de reestruturação. O gerente de relações com investidores da Vale, Fernando Mascarenhas em exposição na Apimec-MG em BH, disse que o preço do minério dificilmenterecua para menos de US$ 40 a US$ 50 a tonelada e também dificilmentepassa dos US$ 100. Ou seja, a mineradora tem uma proteção natural para seus negócios já que a demanda pelo minério continua crescendo.

Mascarenhas admitiu que a governança da Samarco era longe da ideal quando ocorreu o mais grave acidente ambiental do País em Mariana há cerca de dois anos. Agora as duas sócias do empreendimento – Vale e BHP – trabalham para melhorar a governança da Samarco e para que ela volte a operar.