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Francisco Câmpera – Jornalista e comentarista da Rádio Super Notícia

Se o Brasil não mudar o seu sistema eleitoral, as crises políticas vão continuar a atrapalhar o nosso futuro. Os custos se tornaram inacessíveis para a maioria. Não adianta ter requisitos para uma campanha vitoriosa, como vocação, ser uma pessoa conhecida e ter ficha limpa. Se não tiver dinheiro, não adianta nada.

A corrupção, portanto, começa na origem, antes das eleições. As empresas que têm negócios e interesses com o governo bancam os custos da campanha e os parlamentares se tornam verdadeiros office-boys de luxo. Para a população sobram migalhas e muita demagogia para garantir a próxima eleição.

Basta lembrar da JBS/Friboi, do criminoso confesso Joesley Batista, que gastou oficialmente quase 400 milhões de reais em campanhas de 2014. O resultado todo mundo conhece. Apenas três personagens que bancaram campanhas dos políticos ganharam mais uma centena de bilhões de reais com negócios, investimentos, financiamentos dos bancos públicos, obras e concessões do governo federal.

Imagina este valor aplicado na economia nacional, que diferença ia fazer nesta crise que enfrentamos? Joesley (que escapou da cadeia graças ao espúrio acordo com o procurador geral, Rodrigo Janot) e mais dois presidiários, Eike Batista e Marcelo Odebrecht, tinham mais poder do que a maioria dos ministros, parlamentares e governadores. Eles apostavam em todos, da esquerda à direita, a ideologia era o lucro fácil e o saque do Estado.

Diante deste cenário dantesco, as pessoas de bem se afastam da política e os piores tomaram conta. É só ver os personagens que comandam o país nas últimas décadas, a cada eleição o nível despenca. Para quem frequenta e conhece os bastidores da política, sabe bem que não se ouve quase nunca palavras como “amor à pátria”, ou preocupação com a crise econômica ou o desemprego.

Quando não se rouba, a gestão é caótica. Gasta- -se mal e em decisões erradas. Em Brasília há exemplos básicos que poderiam ser facilmente corrigidos. A União gasta mais de um bilhão em alugueis por ano, enquanto é proprietária de 18 mil imóveis pelo país. Uma solução simples seria fazer permutas, vender e comprar e economizar este valor.

Um mau exemplo é a ANAC-Agência Nacional de Avião Civil, que deixou um imóvel da União para pagar um aluguel absurdo num prédio de luxo na Capital. A concessão equivocada no governo Dilma Rousseff entregou à concessionária o aeroporto de Brasília a uma obscura operadora Argentina ligada ao governo dos Kirchner, onde até os imóveis externos nada têm a ver com o negócio.

Alguém com um mínimo de caráter ou amor ao Brasil jamais faria um negócio tão nefasto assim. Maus exemplos não faltam! Isto acontece porque o nível das pessoas indicadas por políticos que assumem cargos estratégicos é cada vez pior. Pessoas que não têm formação adequada estão à frente de cargos técnicos importantíssimos. Eles estão lá apenas para cumprir ordens dos parlamentares e partidos, que por sua vez atendem aos seus financiadores. Portanto, vivemos uma democracia de faz-de-conta, um capitalismo fraco, onde o Estado ao invés de estimular a competição apoia monopólios.

O debate político atual é vergonhoso, onde mais parece programa policial sensacionalista e bandidos vivem se atacando e defendendo de acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Não se discute mais as soluções dos problemas nacionais.

Os políticos profissionais aproveitam este caos e preparam um verdadeiro golpe à democracia com uma reforma política de mentira, onde querem impor uma lista partidária e retirar o direito do voto do eleitor. Ainda almejam três bilhões de reais do dinheiro público para financiar as suas campanhas. A intenção é eleger só eles e os seus comparsas.

A saída para nos livrarmos de vez destes sanguessugas seria uma reforma política séria, onde os partidos seriam obrigados a promover prévias; admitir candidaturas avulsas, voto facultativo e distrital misto. Apenas estas medidas dariam outro rumo ao Brasil, onde as chances da política atrair gente competente e honesta seria bem maior.

Ainda teríamos que obrigar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a imprimir o comprovante de voto, para evitar fraudes eleitorais. Em 2014 quando a chapa Dilma/Temer foi eleita quem dava suporte tecnológico ao TSE era a Smartmatic, empresa venezuelana que garante as vitórias dos bolivarianos. Semanas depois da suspeita vitória, a empresa se mandou do Brasil levando todos os equipamentos.

Portanto, o próprio sistema eleitoral estimula a corrupção. Nada mudou até agora porque além de enriquecer os políticos privilegia quem está no poder. Se este ciclo viciado não for quebrado com uma reforma política decente, o Brasil vai precisar de muita sorte para eleger em 2018 alguém que preste e atenda aos anseios e necessidades de nossa pátria.