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Humor, ousadia, inteligência e destreza são alguns dos atributos do poeta Jovino Machado, que acaba de lançar uma antologia com sua produção literária entre 1993 e 2013.
 
por Kiko Ferreira
 
“Sobras Completas – obra revisada e reunida” foi lançada no final do ano e merece estar na estante de quem gosta de poesia contemporânea.
 
DEZ EM UM
O volume reúne dez títulos deste mineiro de Formiga que faz parte da cena contemporânea de Belo Horizonte. E também inclui poemas, inéditos em livro, já publicados na internet e em publicações várias.
 
Ele fez uma seleção dos três títulos que lançou na década de 1980 e reproduziu dos outros livros, que chegam a 13. 
 
Merece atenção a beleza da edição, com projeto gráfico diferenciado de Valquiria Rabelo e Daniel Bilac.
 
Além dos poemas, a coletânea tem textos de e para outros autores, como Raduan Nassar e Joca Reines Terron.
 
 Alguns   poemas que exemplificam  o estilo de Jovino:
 
RETRATOS EM BRANCO E PRETO
 
meus amigos falam bem de mim
50% é verdade
meus inimigos
falam mal de mim
50% é mentira
 
POEMA DOS TRINTA ANOS
 
aos sete perdi a infância
não perdi a elegância
aos dezessete perdi a virgindade
não perdi a dignidade
aos vinte e sete perdi a ingenuidade
não perdi a vaidade
 
não perdi a fé
gosto de café
ando a pé
 
CANÇÕES DE SENZALA
 
encontrei o bardo
Tomaz Antônio Gonzaga
que ao som da sanfona
do sanfoneiro que falava pouco
bebia muito e tocava demais
me contou sobre a ternura de Marília
me convidou para mais um trago
eu aceitei: tim tim…
me disse que a vertigem da poesia
começa justamente onde termina a morbidez
de barba por fazer
afrouxou o nó da gravata
como um ilustre fidalgo
cantou canções de senzala
disse que sentia enjoado de conspirações
e pediu mais vinho
ajeitou o chapéu e me convidou
pra subir e descer ladeiras
saímos sem pagar a conta.
 
SAMBA
 
lírico e não romântico
olhar de maritaca no barranco
diadorim tossindo e tropeçando
flor do serrado dândi do sertão
ama como um cão
adora João Gilberto na televisão
foi tão abandonado que não sabe abandonar
seu lado direito e beauvoir demais
seu ardor tem ar de dor e doçura
de meio minuto mágico de beijo entre copos
onde existe humor não existe suicídio
humor é melhor que gargalhada
o amor é um lobo mau
humorista e não “palhaço” 
sorriso de anga-miúdo
macunaíma roncando e cagando
policarpo sonhando
odeia como uma vaca no pasto
e isso não serve para o cinema
não sabe para que lado nadar
se a favor da beleza
ou contra a correnteza
seu lado esquerdo é do(r)lores demais
alegria é melhor que felicidade
o amor é um lobo mais bobo que mau