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Por: Fernando Soares Rodrigues
Jornalista especializado em economia e finanças
 
Nada pior para quem acompanha a evolução da economia brasileira há décadas do que a previsão do alcance de inflação de 9% ao término de 2015, associada à estimativa de retração econômica anualizada de cerca de 1,5% ou mais, queda na produção industrial e a redução progressiva de vagas no mercado de trabalho. A inflação é o grande mal que contribui para a instabilidade política, o aumento das greves e das manifestações públicas em excesso que afetam o direito de ir e vir da população.
A alta generalizada dos preços sinaliza ainda desacertos bem primários nas contas públicas, os atrasos e preconceitos ideológicos na condução da política econômica pelo governo, classe política, empresários e lideranças da sociedade, além das grandes deficiências na infraestrutura do País.
O atual índice anual preocupante da alta generalizada dos preços traz tristes recordações do período anterior ao Plano Real (21 anos atrás) quando o País chegou a conviver com inflação entre 2% e 3% por dia útil.
Iniciativas governamentais que sinalizam a reversão das expectativas após o cenário econômico preocupante registrado no primeiro semestre – o pior dos últimos 20 anos, segundo grandes empresários – são importantes, porque sinalizam a expectativa de melhora ainda que a médio e longo prazos. Entre elas estão os avanços do ajuste fiscal, ainda que menor que o pretendido, e a manutenção do propósito de combate à inflação mesmo no cenário de forte retração econômica.
Conjuntura difícil Fatores como inflação exorbitante, retração econômica e as grandes denúncias de corrupção na Petrobras e em outras estatais e órgãos governamentais só perdem em importância para a má gestão do setor público. Qualquer decisão sobre aplicação de recursos em ativos financeiros no País leva em conta necessariamente esses fatores e obriga os investidores e analistas a atualizarem diariamente suas projeções.
As incertezas em relação ao comportamento do mercado de ações continuam elevadas mesmo diante das medidas que a nova diretoria da Petrobras adota para acertar as finanças da estatal. O peso das ações dessa estatal nas decisões de aplicação de recursos no mercado acionário por investidores estrangeiros é grande. A maior parte deles ainda teme o elevado grau de endividamento e má gestão passada na Petrobras.
O quadro conjuntural pode melhorar um pouco a médio e longo prazo, mas tende a continuar pouco alvissareiro já que não é possível antever reformas significativas que permitam a correta e adequada aplicação de recursos nos setores básicos para alavancar a economia a longo prazo.
Decisão importante O governo federal após os tropeços conhecidos na política econômica, mas que não impediram a reeleição da presidente Dilma Roussef, passa à sociedade constantes demonstrações de que tomou juízo. Ao final de junho foi registrado mais um demonstrativo desse propósito. Com dificuldades para controlar os preços, a equipe econômica reforçou o compromisso do governo com a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu reduzir de 2 para 1,5 ponto percentual a margem de tolerância da meta de 4,5% para 2017 – ou seja, o teto da meta passa a ser de 6%, e o piso, de 3%.
A meta de 4,5% e a banda de dois pontos porcentuais foram mantidas para 2016. O recado do governo foi mostrar menos tolerância com a inflação, o que exigirá maior esforço do Banco Central (BC) na condução da política monetária. É por meio dessa banda que o Comitê de Política Monetária (Copom), que decide sobre a taxa Selic (juros básicos), absorve os choques de alta de preço na economia.
A decisão pela redução do intervalo de tolerância da meta de inflação em 2017 integra o rol de medidas que o BC tem buscado para recompor a sua credibilidade. A determinação reforçou a expectativa do mercado sobre a continuidade da atual política de juros elevados para conter a inflação, mesmo diante da retração da economia e do desemprego crescente.
O juro real (taxa Selic menos a projeção da inflação dos próximos dozes meses) encontra-se próximo de 8% ao ano. Ela também reforçou a expectativa de o Copom de manter a Selic acima dos 14% ao ano, ao termino de 2015.
A aplicação de recursos nos principais ativos de renda fixa corrigidos pela Selic continua atraindo cada vez mais os investidores nacionais e estrangeiros, e evita a disparada do dólar acima do patamar próximo a R$ 3,20. A cotação do dólar no mercado interno pode ser afetada pelo fortalecimento da moeda americana frente às demais divisas mundiais. O Federal Reserve, o FED – banco central americano, adiou mais uma vez a alta do juro básico nos EUA, que se encontra negativo – entre 0% e 0,25% – considerando as incertezas do comportamento da maior economia mundial. Mas, voltou a prever para breve, talvez ainda este ano, o reajuste dos juros que estimularão ainda mais a aplicação em títulos americanos.
Título e cadernetas Tem aumentado também a procura pelos títulos do Tesouro Direto após a mudança da denominação deles.
Nesse mercado, o investidor pode optar pelos títulos corrigidos pela Selic ou pelo índice oficial de inflação, o IPCA, e ainda receber rentabilidade semestral. Continua o perigo da “marcação a mercado” dos valores dos títulos, nos casos de resgate antes do vencimento. Os títulos perdem valor temporariamente quando ocorrem saques maciços conduzidos por grandes investidores, inclusive estrangeiros.
As tradicionais cadernetas de poupança registraram saques maciços no primeiro semestre. Estimuladas pelo baixo rendimento em relação à inflação, as pessoas sacaram os recursos nessa mais popular forma de aplicação para cobrir dívidas. Essa tendência ocorre em épocas de retração econômica e crescimento de desemprego. Mas existem também, os investidores, inclusive de grande porte, que mantém os recursos nas cadernetas atraídos pela liquidez oferecida.
Em épocas de juros bancários elevadíssimos, torna-se mais importante não tomar empréstimos em linhas bancárias muito caras, do que ganhar muito em aplicação financeira.
O crédito rotativo dos cartões de crédito e o cheque especial são os campeões em juros elevadíssimos – mais de 300% ao ano ou 13% ao mês, respectivamente.
Os juros elevados continuam favorecendo os bancos e criam expectativa favorável para as ações do setor.
Os grandes bancos estão mais preocupados, no entanto, com a possibilidade de crescimento da inadimplência e procuram elevar seus resultados em faixas que oferecem menores riscos, como explicou Marcelo Kopel, diretor de Relações com Investidores do Banco Itaú durante reunião com analistas mineiros na Apimec-MG.