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Proibida de participar de eventos públicos por causa das vaias e de ir à televisão explicar as medidas adotadas contra o povo, porque, se for, enfrentará, na hora do pronunciamento, um panelaço em todo o país, a presidente Dilma Rousseff vem amargando, nestes primeiros três meses de seu governo, a maior impopularidade que um presidente pode ostentar nos últimos tempos. Rejeição de mais de 90% da população é simplesmente inacreditável. Constitui-se um recorde absoluto, já detectado em pesquisas que nem divulgadas foram porque viraram lugar comum. Quaisquer novas pesquisas certamente vão indicar índices de rejeição ainda maiores.
Tendo que conviver com manifestações periódicas das ruas pelo seu afastamento, Dilma se encontra totalmente perdida, sem rumo e sem destino. Seu governo chegou ao fundo do poço.    Mas, sem coragem para mudá-la, mantém inalterável a política financeira em curso, essência do pacote de maldades editado em janeiro e rejeitado pela população.
E qual a causa principal desta impopularidade? Quais ações administrativas provocaram tanta rejeição popular, tão rapidamente? A corrupção? O pacote de maldades? As pesquisas indicaram um amplo leque. Mas, sem sombra de dúvidas, a política de juros altos que gerou o pacote de maldades é a principal causa que levou o eleitor a considerar que a presidenta mentiu na campanha eleitoral. 
Trocando em miúdos, em linguagem jornalística: Aqui reside a grande mazela da política financeira do governo, uma mazela monumental, responsável por todas as outras, porque suga bilhões de reais do contribuinte, não sobrando recursos para serem aplicados em serviços essenciais, em investimentos e infraestrutura.
A rejeição popular à política financeira posta em execução faz desabar sobre o governo petista toda sorte de adversidades, desde a indignação das ruas até a reação da classe política. O próprio PMDB mostrou sua força. Ameaçou deixar a base do governo, se Dilma não atendesse sua exigência de demitir o ministro da Educação, Cid Gomes. Dilma cedeu, dando demonstração de fraqueza e “aceitou” o pedido de demissão do ministro. E, se era refém, na sua política econômica, do sistema financeiro, passou a ser refém, na área política, do PMDB.  E, no seu partido, é refém do seu protetor, o Lula. 
Por causa desta política é que em muitas áreas se admite que o governo Dilma pode ter um fim trágico, se não mudá-la antes de sucumbir tragada pelos próprios erros. É inacreditável constatar que o principal vetor desta política financeira consiste em pagar juros altos aos credores do tesouro nacional e cobrar juros baixos desses mesmos credores, que passam a ser devedores privilegiados, pagando juros subsidiados. Cobrando juros baixos e pagando juros altos, o Tesouro Nacional aumenta o rombo nas contas públicas e corta gastos onde não devia cortar, como na saúde, na educação, em obras e investimentos públicos.
O Governo Federal toma recursos de 200 milhões de brasileiros que recolhem impostos (produtores, trabalhadores, consumidores, aposentados, donas de casa, profissionais liberais etc), para dar a um pequeno contingente de afortunados grandes aplicadores em papéis do Tesouro Nacional.  Não se sabe bem quantos são. É uma lista guardada a 7 chaves pelo Tesouro Nacional, pelo BNDES, Banco Central e o sistema financeiro. Mas é fácil detectar que são poucos. Não devem atingir nem 10 mil. Os outros são médios e pequenos. Os grandes aplicadores estão certamente entre os 13% de brasileiros que, em março, ainda aprovavam o governo.
Se esta lista for divulgada, com os ganhos de cada um, poderemos até descobrir um escândalo ainda maior do que o da Petrobras e o recentemente descoberto da própria Receita Federal. O   mecanismo de enriquecimento sem causa desses aplicadores é muito simples. Os grandes grupos, com influência no governo, vão ao BNDES pedir financiamento de alguns bilhões de reais, elaboram um bem estruturado projeto, seja para um suposto aumento da produção, seja para capital de giro, aquisição de equipamentos, reorganização funcional etc. O nome do projeto não importa. O que importa é a influência política que utilizam para determinar ao BNDES a liberação do dinheiro.
Como o BNDES não tem dinheiro para emprestar a estes grupos a juros subsidiados, TJLP, que estão em torno de 6%, o governo vai ao mercado financeiro, toma emprestado destes mesmos grupos a taxas de 12,5%, repassa-os ao banco e este os devolve aos aplicadores a juros subsidiados. Assim, os grandes grupos se locupletam de dinheiro público, sem fazer força. É ou não é um escândalo de proporções gigantescas?
Uma CPI do BNDES no Congresso poderia facilmente identificar todas as operações fraudulentas que aumentam o rombo nas contas públicas e obrigam o governo a tirar de quem produz para garantir o que chama de “superávit primário”, ou seja, economia para pagar juros altos a esses credores. Cortar obras e verbas para educação, saúde, segurança, infraestrutura etc o governo faz. Mas cortar juros altos nem pensar. 
O mais grave de tudo o que se disse aqui é que a orientação desta política financeira – pagar juros altos aos aplicadores em papéis do Tesouro Nacional e cobrar deles juros baixos – vai permanecer intocável, porque quem a conduz pertence ao mercado financeiro.  E o escândalo não vai parar por aí: o Governo Federal, através do Banco Central, já anunciou que os juros que   o Tesouro Nacional paga a esses afortunados vão continuar aumentando, para alegria de todos eles. Este é o governo do PT. 
Qual a justificativa plausível que Dilma guarda para sacrificar quase que a população inteira em benefício de uma meia dúzia de afortunados bilionários deste país? Simplesmente não tem nenhuma, porque a do combate à inflação já está desmoralizada pelos fatos. A presidente não seria ingênua se dissesse que não sabe que os aplicadores em títulos do governo, a juros de 12,5%, e os tomadores de recursos subsidiados do BNDES, a juros de 6%, são os mesmos.
Se não sabe, basta pedir ao Luciano Coutinho, do BNDES, a relação dos empréstimos subsidiados, e ao Alexandre Tombei, do Banco Central, a relação dos grandes aplicadores em títulos governamentais, remunerados pela Taxa Selic. Cruzando as informações, facilmente poderá identificar todos os que mamam nas tetas gordas do Tesouro Nacional. Ou será que ela já tem esta lista há muito tempo e nada fez?
Os vis mortais não têm acesso a estes dados. Por decisão judicial ou através da uma CPI, pode ser que venham a saber o quanto os privilegiados grupos bilionários deste país ganham do Tesouro Nacional à custa do contribuinte.  Estes valores são acobertados pelo que se chama de “sigilo bancário”. Não são milhões. São bilhões desviados. Será que o governo Dilma prefere ir para o buraco a ter que mudar esta nefasta política de juros altos?
Ao mentir na campanha, pregando a bonança se fosse eleita, e, após a eleição, impor imensos   sacrifícios ao povo para beneficiar esta meia dúzia de privilegiados, a presidenta estaria esperando o quê?  Que o povo aplaudisse os aumentos de energia elétrica, de gasolina, de impostos, os cortes na educação, na saúde, nos direitos dos trabalhadores, a estagnação econômica, o desemprego, tudo isto para pagar juros altos, repito, a uma ínfima camada da população?  
A presidente tem que pensar muito, porque tudo indica que a reação popular só começou. Mais  chumbo grosso vem por aí.