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Por: Juliano Lima Pinheiro

 

A alta volatilidade do mercado e o recente episódio de quebra de confiança de um grande grupo empresarial negociado na BM&FBovespa têm levado os investidores a aumentar sua aversão ao risco da renda variável.

A maioria dos investidores, quando vai comprar ou vender ações, decide baseado nas seguintes razões: recomendação de um operador, um familiar ou um amigo, sua própria experiência no mercado de capitais e informação do que vê ou lê sobre o comportamento de uma determinada empresa. Os motivos que levam a utilização desses métodos são atribuídos à falta de conhecimento sobre o que são ações, seus tipos e direitos, como ocorrem o ganho com ações, a diferença entre preço versus valor, o que é a governança corporativa, como se analisam as ações e como é a forma de investimento.

É importante salientar que os ganhos relacionados com ações ocorrem somente através da propriedade e através da comercialização. Os ganhos através da propriedade são resultantes da manutenção das ações de empresas lucrativas que distribuem seus resultados aos acionistas. Estes ganhos não são vinculados ao desempenho dos preços das ações no mercado, mas, sim, ao desempenho da empresa em seu segmento.

Os ganhos resultantes da comercialização referem-se à diferença de preços entre a compra e venda das ações. Um exemplo é quando compramos um papel por R$ 10,00 e o vendemos por R$ 12,00. Neste caso houve um ganho de R$ 2,00 por cada ação negociada. O problema da busca por este tipo de ganho é quando as expectativas de alta não se concretizam e ocorrem perdas resultantes da venda das ações a preços abaixo dos adquiridos.

Para o investidor que deseja segurança, a análise fundamentalista é um importante instrumento utilizado para a análise de investimento em ações. Através da avaliação de tópicos que se relacionam com o desempenho da empresa, ela possibilita concluir sobre suas perspectivas. Essa análise utiliza os fundamentos econômico-financeiros para a determinação do valor da empresa.

As origens da análise fundamentalista remontam ao final do século XIX e princípio do século XX. As grandes corretoras de bolsa tinham seus departamentos de análise compostos por profissionais de áreas exatas (estatísticos e matemáticos) que comparavam empresas do mercado através de alguns dados financeiros disponíveis. Em 1929, durante um curso ministrado por Benjamin Graham na Universidade de Columbia em New York, intitulado Investments, surge a chamada Análise Fundamentalista, que revolucionou a análise de investimentos em ações e segue tendo uma grande importância nos dias atuais. As anotações e exemplos utilizados durante o curso foram cuidadosamente organizados por um dos alunos, David Dodd, e constituíram a base para a publicação em 1934 do livro The inteligent investor and security analysis, a primeira tentativa de explicação do funcionamento do mercado acionário.

Já na década de 1990, a análise fundamentalista ganha nova dimensão com a incorporação da análise quantitativa e seus modelos econométricos. Esses modelos buscam a previsibilidade da rentabilidade futura de um valor baseando-se em variáveis explicativas dela mesma. Nessa década, também foram desenvolvidos os conceitos sobre o mercado acionário estudado em conjunto com seus ativos através da análise setorial.

O objetivo principal dessa análise é avaliar o comportamento da empresa visando à determinação do valor dela. Ela parte do princípio de que as ações têm valor intrínseco, que está associado com a performance da companhia emissora e com a situação geral da economia. Portanto, estuda os fatores que explicam o valor intrínseco de uma empresa, setor ou mercado, colocando em segundo plano os fatores de mercado, como preço e volume. Esses fatores são chamados de valores fundamentalistas.

A justificativa para o uso desse tipo de análise é antecipar o comportamento futuro de uma determinada empresa no mercado. Isto é, adiantar-se ao mercado. Para que isso seja certo, tem que partir de uma hipótese básica: o mercado não é eficiente a curto prazo, ainda que o seja a longo prazo. Se não fosse assim, não seria possível adiantar-se ao mercado. Hoje, o preço de uma ação não reflete o verdadeiro valor da empresa, mas existe uma tendência de que isso ocorra em um futuro próximo. O analista fundamentalista trata o tempo todo de descobrir supervalorizações ou subvalorizações, com base em determinada informação ainda não negociada pelo mercado.

 

Hipótese básica da análise fundamentalista:

O mercado de capitais é eficiente a longo prazo, podendo ocorrer ineficiências na valorização a curto prazo, que seriam corrigidas ao longo do tempo.

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O processo decisório da análise fundamentalista de investimento envolve o cálculo do valor hipotético da empresa, que corresponderia a seu “preço justo” em determinado momento, e, pela comparação desse com seu preço de mercado, seleciona para investimento aquele com menor relação valor intrínseco/preço de mercado.

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Segundo a perspectiva que se queira utilizar na hora de fazer a análise fundamentalista, existem dois métodos ou enfoques. O primeiro enfoque utilizado é a análise top down (de cima para baixo); em contraposição com ele há a análise bottom up (de baixo para cima). Os partidários da top down pensam que o que move a bolsa a longo prazo são as principais variáveis macroeconômicas, dado que a bolsa deve refletir o comportamento da economia. Os partidários da bottom up pensam que o que tem de ser feito é analisar o comportamento e as perspectivas de cada empresa para detectar quais oferecem melhor oportunidade de investimento.

Ambos os enfoques não são excludentes; ao contrário, é importante o casamento dos dois enfoques, quer dizer, realizá-los simultaneamente, para posteriormente comprovar que as conclusões são similares.

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